Quem sabe
pudéssemos juntar
nossos vazios
a fim de transbordar
nossas lacunas
"Eu tinha 15 anos quando conheci a pessoa que mudaria minha vida,meu modo de pensar e até meu gosto musical para sempre. Eu nunca acreditei nesses amores á distância,algumas semanas antes de conhecê-lo,eu até havia feito piada da garota do 2° ano que namorava um garoto que morava em outro país. É,eu era desacreditada antes de conhecê-lo,nunca havia amado ninguém. Foi no mês de maio,quando aqui mesmo,no tumblr,conversei pela primeira vez com a pessoa mais incrivelmente interessante que já havia conhecido. Conversamos por meses,sobre tudo,música,livros,lugares,vida pessoal. Nos tornamos verdadeiros amigos,quando eu tinha um dia ruim,corria para o computador contar para ele,porque sabia que ele ouviria e me aconselharia melhor que ninguém. Quando ele estava passando por algo ruim,sempre me contava,e eu sentia suas dores,e o aconselhava.Da primeira vez que nos falamos por telefone,passamos,literalmente,horas no telefone. Pra falar a verdade,eu queria ouvir aquela voz até pegar no sono,se possível. Não sabia o que estava acontecendo comigo,ou melhor,sabia sim. Eu estava amando-o. Meu único medo,era de afastá-lo. Porque talvez,ele não sentisse o mesmo. Um dia,ele pediu pra conversarmos pela webcam,e eu fiquei feliz,porque finalmente,poderia ver o rosto que vivia imaginando como devia ser. Ele era lindo,á sua maneira. Ele disse que eu ria bonito. Acho que ele quis dizer que gostou do meu sorriso,mas não tenho certeza. Ele era assim mesmo,tinha mania de falar diferente,me confundir,ser um enigma. Aí ele parou de falar e só ficou me olhando pela tela do computador,com cara de frustração e eu o perguntei o que foi. Ele só disse “nada não,eu preciso ir agora,tenho uma coisa pra fazer”. Então desligamos e eu fui para o quarto, dormi pensando nisso. Sabia que tinha algo errado. Algumas semanas depois,ele disse que precisava me dizer algo,só não sabia como. Um dia,ele me ligou ás 7h da manhã,pedindo pra ligar a TV em um canal. Eu liguei,e estava passando o jornal,que passava todos os dias. Eu estranhei e perguntei o que tinha de interessante no jornal. Ele só me mandou continuar assistindo. Alguns minutos depois,começou uma matéria sobre o estado dele. “É o meu bairro” ele disse,no telefone. “Tá,legal. Mas o que eu preciso ver?” perguntei. Quando terminei de falar,olhei para a TV,a câmera estava filmando a repórter ,e no fundo,havia uma ponte bem alta,e lá estava escrito “Luna,eu amo você. Aceita namorar comigo?” feito com tinta spray. Luna era meu nome. Aquele era o bairro dele. Eu não conseguia acreditar que ele havia feito aquilo por mim,não conseguia acreditar que ele também me amava. Tudo parecia um sonho. O silêncio permaneceu por um minuto,até que ele disse,gaguejando “eu aproveitei a reportagem sobre um buraco na estrada para te dizer isso,não foi nada romântico mas,você aceita?“ eu nem conseguia falar,a voz simplesmente não saía. Até que eu consegui dizer “é tudo que eu mais quero nessa vida,Gabriel”. Isso aconteceu no dia 9 de dezembro. No dia 31 de dezembro,passamos o réveillon “juntos”,nos vendo pela webcam. Eu deixei de sair com as minhas amigas,ele deixou de sair com a mãe dele,e encontramos uma maneira de passar o primeiro réveillon juntos. Á meia-noite,dissemos juntos “eu te amo,amor. Pelo resto de nossas vidas”. Parecia que eu finalmente tinha encontrado a felicidade,finalmente a vida tinha um sentido. Mesmo com os 2982km de distância,eu o amava. Trocávamos mensagens o dia inteiro,nos falávamos por ligação e quase todos os dias pela webcam. Ele dizia que o sonho dele era fazer todas as coisas de casal fofo comigo. Era o meu sonho também. A gente até fez uma lista com 30 coisas tipo andar de mãos dadas na rua,beijar na chuva,tomar sorvete juntos,ouvir músicas deitados na cama num dia chuvoso,assistir comédia romântica com pipoca e o barulho da chuva. Sabíamos que talvez nunca realizássemos aqueles itens,e isso me fazia chorar sempre. Eu só sabia que precisava dele. No dia 17 de março,a mãe dele recebeu a notícia que precisaria passar um mês no meu estado por conta do trabalho. Eu esperei por aquele momento quase um ano,e finalmente ele estava ali,tão perto. Comecei á pensar que talvez o destino estivesse nos dando uma chance. Exatos 30 dias para realizarmos os nossos 30 itens. No dia em que ele chegou,eu nem consegui dormir. Fui esperá-lo no aeroporto e nosso primeiro abraço durou mais de 5 minutos,eu não conseguia soltá-lo,tinha a sensação que se o soltasse,acordaria e tudo havia passado de um sonho. Mas não era.Foram os 30 dias mais incríveis de toda a minha vida,todo dia nos vimos,fizemos todas as 30 coisas que estavam na lista. No último dia,fui levá-lo ao aeroporto,e só chorei,não conseguia dizer nada. Queria dizer o quanto o amava,o quanto ele era importante e o quanto eu precisava dele. Mas só conseguia chorar. Estávamos abraçados e ele disse no meu ouvido como um segredo “a gente vai se ver de novo,eu prometo”. Só assim eu me acalmei e parei de chorar. Ele também estava chorando,até que ele teve que partir. Não era como se eu nunca mais fosse vê-lo,sabia que o destino nos daria outra chance. Soltá-lo e deixa-lo ir embora foi a coisa mais difícil que já fiz em toda a minha vida. No dia seguinte,olhei o celular e tinha uma mensagem dele,como sempre. Estava escrito “eu já sinto sua falta.Eu te amo,pelo restos de nossas vidas” como sempre dizíamos um para o outro. Continuava triste. Quando cheguei á cozinha,liguei a TV,e a primeira notícia do jornal era sobre um avião com destino ao estado dele,que havia caído. Ninguém havia sobrevivido. Nessa hora,uma dor insuportável me tomou,mesmo sem ter certeza de que era o avião dele,porque havia vários aviões partindo para o mesmo lugar naquele dia. Até que eu tive a confirmação quando vi o número do voo. Era o número do voo dele. Ele havia partido e dessa vez,era para sempre. Não podia suportar a ideia de nunca mais vê-lo,não podia suportar a ideia de não ter dito tudo que queria no dia anterior,não podia suportar as memórias do últimos 30 dias me assombrando sem parar e não podia suportar as notícias sobre a queda do avião passando todos os dias na TV. Naquele jornal onde tudo havia começado,havia acabado da forma mais dolorosa possível. Fiquei desesperada,chorei compulsivamente a semana inteira. Passava o dia no quarto escuro.Não ia para o colégio. Minha mãe tentava me consolar,mas a única pessoa que eu precisava ouvir não estava lá,o único abraço que eu queria sentir nunca mais poderia ser sentido. A única risada que eu queria ouvir havia calado,para sempre. Era insuportável,parecia que aquela dor nunca iria passar,parecia que ela queria morar no meu peito pra sempre. Talvez fosse isso. Então,3 anos se passaram desde o acontecido. Eu ainda assisto ao mesmo jornal todos os dias. Talvez meu subconsciente tenha criado a falsa esperança de,em um dia qualquer,ouvir uma reportagem sobre um sobrevivente encontrado. Talvez seja isso. Mas a única coisa que eu sei é que sempre vou amá-lo. Tenho plena convicção disso.E eu ainda guardo a nossa lista.E todos os dias eu sinto falta dele. E todos os dias eu releio aquela última mensagem no celular,porque por um segundo,eu sinto como se tivesse sido tudo um sonho. E a dor exige ser sentida todos os dias quando lembro. E todos os dias tento ficar um pouquinho feliz porque sei que era isso que ele iria me pedir.Eu nunca desejei não ter conhecido-o,nenhuma dor nunca vai me fazer pensar isso porque eu sei que as lembranças boas são mais fortes,talvez sejam essas últimas lembranças sejam o que me mantém aqui,viva. E todo dia 31,á meia noite,eu olho para o céu estrelado e repito a nossa frase “eu te amo,pelo resto de nossas vidas”.”
Uma História de Amor,por Yasmin e Babi.  
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