Quem sabe
pudéssemos juntar
nossos vazios
a fim de transbordar
nossas lacunas
"Um dia desses esbarrei com o Velho. Sim, quem diria, não é? O próprio. Saímos sem rumo, e como dois conhecidos à longo prazo, nos sentamos na esquina de um botequim. Uma dose, por favor. Pedi ao garçom para que servisse ao meu novo companheiro de solidão. Mais um, um logo após o outro. Era como se cada gota de álcool trouxesse uma decepção diferente. O lugar precisava fechar, nos avisou o gerente, a pontapés. Paguei a conta, pegamos mais duas garrafas e saímos. Afinal, não é todo dia que se encontra o Velho por aí, não é mesmo? Passamos pelos becos escuros e ensopados de Los Angeles. Meu Deus! Como aquele lugar era imundo. O mundo girava como dois piões que uma criança lança ao chão e olha atentamente parar. E parou. Paramos. Era como se tivesse puxado nossas cordas e lançados-nos ao chão. Um silêncio tomou conta daquela ruela, corujas piavam ao alto daqueles sobrados, era possível notar os ratos andarem entre nós com a luz da lua refletida na água suja que escorria ao meio-fio. Suspirei. Ele gargalhou. Estávamos na merda, numa grande merda. Sugeri a ele que procurasse o caminho de casa, ele se negou. Lembrei-o dos seus velhos problemas de saúde por conta do álcool, ele deu de ombros e insinuou uma futura cirrose para mim. Ignorei com um certo ar de graça, afinal, não era todo dia que se tinha o Velho ranzinza implicando com a sua face, não é mesmo? O silêncio cobriu, senti que estava adormecendo, ele resmungou. Resmungou para mim. Falou sobre a sua vida, sobre sua infância, de quando o seu pai o espancava mesmo que nada tivesse feito. Nunca vi mais sarcástico. Me falou sobre seus amores, sobre o último Adeus a qual suportou. Suspirei profundo. Ele me cedeu a vez, quis saber da minha vida, se interessou na minha história. O Velho queria saber como era a vida de um cara que o admirava. Ignorei-o, afinal, tínhamos mais em comum do que ele imaginava. Voltei a pensar na minha vida, na grande merda que havia se tornando. A lua estava alta e clareava o chão. Vi o Velho levantar-se e levar algo em direção à sua cabeça. Um som agudo invadiu meu ouvido e estourava meus tímpanos. Meu corpo estava dormente, era como se eu não estivesse ali. Olhei ao Velho, boquiaberto, caído, uma poça formava-se ao chão. Toquei-o, ligeiramente, passou um filme à minha cabeça. Todos os passos do Velho estavam ao meu ver. Minha nossa! Que vida mais amarga. Surtei. Gritava, mas ninguém me ouvia. Ouvia sirenes, enxergava vultos. Pessoas. Ambulâncias. Lamentações. Questionamentos. Adormeci.”
Esses dias esbarrei com o Velho, e adivinha? Ele estava dentro de mim. 
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